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Verão 2025/2026 em SC: praia cheia, caixa vazio?

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O verão 2025/2026 em Santa Catarina deixou um recado incômodo para quem vive do turismo: ter praia cheia não significa, necessariamente, ter caixa cheio. Enquanto o Estado começa a contabilizar sinais de desaceleração na alta temporada — com menos argentinos e um gasto médio por grupo ligeiramente menor — Garopaba aparece no noticiário regional como um caso de forte movimentação e grande injeção de recursos na economia local.

Em nível estadual, um balanço divulgado em fevereiro aponta que Santa Catarina “perdeu turistas” na alta temporada e relaciona parte desse desempenho à redução da presença argentina no litoral. O dado é relevante porque o turismo catarinense, nos últimos verões, passou a depender cada vez mais do visitante estrangeiro — não só pelo volume, mas pelo padrão de consumo que costuma “ir além do básico” e fazer o dinheiro circular com mais intensidade no comércio e em serviços.

A mesma análise traz números atribuídos à Fecomércio-SC que ajudam a dimensionar o impacto: a participação de argentinos teria recuado de 22% (jan/2025) para 19% (jan/2026). No bolso, a diferença aparece no indicador mais direto para o setor: o gasto médio por grupo teria passado de R$ 8.358 para R$ 8.179, uma queda de 2%, com o recuo puxado principalmente pelos brasileiros. É um tipo de variação que, na prática, muda o humor de quem está atrás do balcão: o movimento pode até existir, mas o ticket médio encolhe, e o verão começa a ficar mais caro de operar do que de aproveitar.

Porque, quando o gasto médio cai e o perfil do visitante muda, o efeito não é abstrato — ele é cotidiano. A queda de fôlego do consumo tende a aparecer como mais pesquisa e menos compra, mais comparação de preço, mais consumo “funcional” (alimentação e itens essenciais) e menos margem em produtos e serviços que dependem do impulso do turista. E quando o Estado perde parte do público estrangeiro de maior tíquete, a conta costuma sobrar para a engrenagem local: hotelaria e gastronomia sentem, mas o comércio sente rápido — e, muitas vezes, com menos capacidade de repassar custos.

O que o verão 2025/2026 escancara é que Santa Catarina não pode tratar a temporada como um “evento natural” que se repete sozinho. A economia do turismo é competitiva, sensível ao câmbio, ao preço final da viagem, à infraestrutura e à experiência entregue — e isso vale em dobro para cidades como Garopaba, onde a vocação turística é enorme, mas a pressão sobre serviços e estrutura cresce na mesma proporção do sucesso.

Se há uma leitura crítica possível, ela é simples: depender de um único motor (o estrangeiro com maior poder de compra) é arriscado; depender apenas de volume, também. O verão pode ter lotação e ainda assim deixar a sensação de “trabalhei mais e ganhei menos” — e esse tipo de percepção, quando se repete, não é só reclamação: é sintoma econômico.