Seleção Brasileira de Surf estreia ciclo olímpico em busca das primeiras vagas para Los Angeles 2028
Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil no ISA World Surfing Games 2026, no Peru, que coloca em disputa as primeiras vagas extras para os Jogos Olímpicos
A Seleção Brasileira de Surf inicia nesta sexta-feira (6) sua caminhada rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Com uma equipe formada por grandes nomes do esporte nacional, o Brasil disputa o ISA World Surfing Games 2026, nas ondas de Punta Rocas e El Bosque, no Peru, em busca das primeiras vagas extras para a próxima edição olímpica. A competição segue até 15 de novembro, com transmissão ao vivo pelo site oficial da International Surfing Association (ISA).
O time brasileiro reúne os campeões mundiais Yago Dora e Italo Ferreira, além de Miguel Pupo, Luana Silva, Tainá Hinckel e Laura Raupp. A presença de atletas experientes e de nomes em ascensão reforça a força do surf brasileiro na abertura do novo ciclo olímpico.
Atual campeão mundial, Yago Dora lidera o ranking do Championship Tour (CT) de 2026. Italo Ferreira ocupa a terceira posição, enquanto Miguel Pupo aparece em quinto lugar. No feminino, Luana Silva está na sétima colocação. Os quatro atletas chegam ao Peru diretamente da etapa das Filipinas e seguem na disputa pelos títulos mundiais da temporada, que serão decididos em Pipeline, no Havaí. Tainá Hinckel e Luana Silva também carregam a experiência de terem representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, realizados em Teahupoo, no Taiti. Já Laura Raupp garantiu sua participação na seleção por ter conquistado o título brasileiro de 2025.
As disputas do surf nos Jogos Olímpicos de Los Angeles estão programadas para ocorrer entre 15 e 23 de julho de 2028, em Lower Trestles, na Califórnia. O local é conhecido dos brasileiros, especialmente de Miguel Pupo, vencedor da etapa do Championship Tour realizada no pico em 2026.
Brasil busca ampliar presença olímpica
O ISA World Surfing Games 2026 tem importância estratégica para o Brasil. Além das medalhas individuais, o campeonato coloca em disputa uma vaga masculina e uma feminina extras para os países que conquistarem os títulos por equipes. A classificação pertence à nação, e não necessariamente aos atletas que conquistarem os melhores resultados individuais.
Atualmente, cada país pode classificar até dois surfistas por gênero para os Jogos Olímpicos. Entretanto, as equipes campeãs do ISA World Surfing Games de 2026 ou de 2027 poderão ampliar esse limite para três representantes no masculino e três no feminino.
Na edição de 2024, em Porto Rico, o Brasil conquistou os títulos mundiais por equipes nas duas categorias e garantiu o direito de competir com seis atletas nos Jogos de Paris. Na ocasião, Gabriel Medina conquistou a medalha de bronze, enquanto Tatiana Weston-Webb ficou com a prata. A única medalha de ouro olímpica do surf brasileiro pertence a Italo Ferreira, campeão na estreia da modalidade nos Jogos de Tóquio 2020, realizados em 2021.
A Seleção Brasileira também conquistou o título mundial por equipes no ISA World Surfing Games de 2019, no Japão. Na ocasião, Italo Ferreira ficou com a medalha de ouro e Gabriel Medina conquistou o bronze.
Caminhos para a classificação olímpica
O sistema de classificação estabelecido pela International Surfing Association prevê diferentes caminhos para chegar aos Jogos de Los Angeles 2028. O primeiro critério será o ranking do Championship Tour da temporada olímpica, considerando o período entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028, que distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, respeitando o limite de um atleta por país em cada categoria.
O segundo caminho será o ISA World Surfing Games de 2028, que classificará sete homens e sete mulheres, também com limite de um representante por país em cada gênero.
As vagas extras por equipes serão definidas nas edições de 2026 e 2027 do ISA World Surfing Games. Cada seleção campeã terá direito a uma vaga masculina e uma feminina. O sistema também contempla classificações pelos Jogos Asiáticos de 2026, Jogos Pan-Americanos de 2027 e Campeonato Europeu de 2027, além de vagas destinadas ao país-sede e de universalidade, conforme os critérios estabelecidos pela ISA.
Nos Jogos Pan-Americanos de 2027, realizados novamente em Punta Rocas, no Peru, os campeões masculino e feminino garantirão classificação olímpica, desde que não tenham obtido vaga por critérios considerados superiores, como o CT ou o ISA World Surfing Games de 2028.
A Confederação Brasileira de Surf (Surf Brasil), reconhecida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e pela International Surfing Association (ISA), é a entidade responsável pela administração da modalidade no país. Sob a presidência de Teco Padaratz, desde 2022, a entidade tem como um de seus principais resultados recentes a conquista dos títulos mundiais por equipes no ISA World Surfing Games de 2024, em Porto Rico.
Com seis atletas de destaque e a possibilidade de ampliar sua representação olímpica, o Brasil começa no Peru uma disputa que vai muito além dos resultados individuais. O objetivo é fortalecer a equipe nacional e garantir presença ainda maior no maior palco do esporte mundial.
Brasil campeão em 2024 (Pablo Jimenez / ISA)