A violência e o abandono de animais de estimação em Garopaba deixaram o campo das percepções isoladas e se consolidaram em uma estatística oficial alarmante. Um mapeamento inédito realizado pelo Grupo Especial de Defesa dos Direitos dos Animais (GEDDA), braço do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), colocou o município na quinta posição do ranking estadual de maus-tratos.

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O levantamento cruzou os registros da Secretaria de Estado da Segurança Pública referentes ao triênio de 2023 a 2025, analisando a taxa proporcional de ocorrências por cada 100 mil habitantes. A alta reincidência fez com que Garopaba, junto de municípios vizinhos como Jaguaruna (2º lugar) e Imbituba (23º), entrasse na lista de intervenção prioritária do Estado.
Em resposta à gravidade do cenário, o MPSC deflagrou nesta semana o projeto MP Guardião da Vida Animal. A ação inicial foi a instauração de um procedimento administrativo com um alvo claro: fiscalizar e cobrar da prefeitura municipal a implementação imediata de políticas públicas efetivas. A justificativa do órgão é contundente — não basta registrar os crimes; é preciso interromper a cadeia de violência com gestão pública estruturada.
Entre as determinações que passarão a ser exigidas pelo Ministério Público estão a criação de campanhas permanentes de castração gratuita, a facilitação e estruturação de canais seguros de denúncia, e o incentivo de programas de registro e identificação de animais domésticos. O procedimento também visa cobrar do município a capacitação de servidores para lidarem de forma técnica com resgates e denúncias ambientais.
O endurecimento da fiscalização integra as ações do Julho Dourado, mês dedicado à conscientização do bem-estar animal. Agora, a bola está com o Executivo de Garopaba, que precisará demonstrar ao MP não apenas projetos no papel, mas a viabilidade prática de leis e ações que tirem a cidade desse lamentável ranking da crueldade.


