Investigações da Operação Ajuste Fino revelam um sistema complexo de combinação de preços que eliminava a concorrência em licitações públicas em Santa Catarina.

A Operação Ajuste Fino, deflagrada na última semana pelo GAECO, trouxe à tona os detalhes de um esquema que transformou licitações públicas em Santa Catarina em meros “jogos marcados”. Com 29 mandados de busca e apreensão cumpridos, inclusive em Garopaba, a investigação revela como um cartel de empresários burlava a fiscalização para abocanhar contratos públicos.
O Mecanismo do Cartel
Segundo o Ministério Público, o grupo não apenas combinava os valores que seriam apresentados nas propostas, mas estabelecia um cronograma de quem deveria vencer cada contrato. Esse sistema de rodízio permitia que todas as empresas participantes do esquema fossem beneficiadas ao longo do tempo, mantendo a aparência de que diferentes empresas estavam ganhando licitações de forma legítima.
Para afastar empresas idôneas do processo, o cartel utilizava táticas de “preços predatórios”, apresentando orçamentos muito abaixo do valor de mercado (em alguns casos, com redução de 70%), tornando impossível a competição para quem não estivesse no esquema.
Conexão em Garopaba
A presença de equipes do GAECO em Garopaba para o cumprimento de mandados confirma que a cidade estava no radar das empresas investigadas. O foco da operação são contratos voltados ao fornecimento de bens e serviços de manutenção predial, como divisórias e vidros. A investigação agora entra na fase de análise dos documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos para identificar se houve facilitação direta por parte de agentes políticos locais ou se a prefeitura foi apenas uma vítima da manobra do cartel.
Próximos Passos
O processo segue sob sigilo judicial na Comarca de Palhoça. O Ministério Público busca agora quantificar o prejuízo total aos cofres públicos e identificar todos os servidores que possam ter recebido vantagens indevidas para permitir o “ajuste fino” nos editais.


