
Foto: Instagram @wslbrasil
A elite do surfe mundial desembarca na Praia de Itaúna, em Saquarema (RJ), para o início da janela de competições do Vivo Rio Pro, a sexta etapa do Circuito Mundial da WSL, que ocorre entre os dias 19 e 27 de junho. O evento no litoral fluminense assume caráter decisivo após os resultados surpreendentes da etapa de Punta Roca, em El Salvador, onde a pentacampeã Carissa Moore e o italiano Leonardo Fioravanti conquistaram as vitórias, sacudindo as primeiras posições do ranking global. Com o fim do formato antigo de finais em dia único e o retorno do título por pontos corridos, os atletas brasileiros Yago Dora, Gabriel Medina e Italo Ferreira entram na água sob intensa pressão da torcida local, precisando de resultados expressivos para encostar no topo da tabela antes da perigosa perna final em Teahupo’o.
O triunfo de Leonardo Fioravanti na América Central adicionou um componente de imprevisibilidade histórica ao cenário internacional do esporte. Ao derrotar o campeão olímpico Italo Ferreira em uma final de alto nível técnico, o surfista romano não apenas quebrou um tabu de décadas para o surfe europeu, mas também evidenciou que a hegemonia da “Tempestade Brasileira” enfrenta sua maior provação desde a consolidação do grupo no cenário global. Essa dinâmica força os competidores nacionais a adotarem uma postura tática muito mais agressiva nas ondas pesadas e mutáveis de Saquarema, um palco conhecido por testar tanto o preparo fisiológico dos atletas sob estresse térmico quanto a leitura rápida das correntes marinhas da icônica vala de Itaúna.

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Entre as mulheres, a consistência de Carissa Moore recoloca a havaiana na liderança psicológica do circuito, desafiando a nova geração de surfistas que vinha dominando as primeiras etapas da temporada de 2026. A transição rápida de El Salvador para o Brasil exige uma logística impecável das equipes técnicas, dado que o tempo de recuperação física dos atletas é reduzido ao mínimo em um calendário cada vez mais espremido por exigências comerciais e transmissões globais de mídia. O ar limpo e as condições oceânicas ideais da Região dos Lagos fluminense atuarão como o combustível fisiológico essencial para que o alto rendimento seja mantido, especialmente nas baterias de formato “morte súbita” introduzidas nas rodadas eliminatórias.
À medida que as estruturas das arenas e palcos começam a ocupar as areias de Saquarema, o foco técnico se divide com a contabilidade rigorosa dos pontos que definirão os campeões mundiais na mítica praia de Pipeline, no Havaí, ao encerramento da temporada. Longe dos holofotes do entretenimento de massa promovido pelas marcas patrocinadoras, a verdadeira batalha se dará na consistência onda a onda em um mar que costuma punir erros estratégicos mínimos de posicionamento. Resta saber se os atletas brasileiros conseguirão canalizar a energia massiva da torcida local para reverter a vantagem estrangeira, ou se o troféu de Saquarema migrará novamente, redesenhando as forças políticas e esportivas do esporte profissional.


