



Com o objetivo de fortalecer a educação indígena dentro das escolas e desconstruir estereótipos historicamente reproduzidos sobre os povos originários, o cacique Wbyrawa, do grupo Swbathekye da etnia Kariri Xocó, desenvolve há mais de seis anos um importante projeto cultural e educacional em Curitiba e em diversas cidades do Paraná.
Intitulado “Os Quatro Elementos (Água, Fogo, Ar e Terra) – Idiomas, cantos, danças e artesanatos”, o projeto promove palestras, rodas de conversa, apresentações culturais e vivências indígenas em escolas públicas, privadas, universidades e instituições de ensino, aproximando estudantes da verdadeira história e cultura dos povos originários brasileiros.
Natural da aldeia Kariri Xocó, localizada no município de Porto Real do Colégio, em Alagoas, às margens do Rio São Francisco, o cacique Wbyrawa, nome tradicional de Ronivaldo Marcelino de Souza, atua há mais de dez anos na transmissão dos saberes ancestrais de seu povo. Entre 2010 e 2022, realizou apresentações culturais e palestras em escolas, faculdades e instituições da cidade de Campinas, além de participar da I e da II Mostra de Cultura Brasileira, em 2012 e 2013.
A iniciativa busca levar às salas de aula a voz dos próprios povos indígenas, apresentando uma narrativa construída a partir da vivência, da oralidade e da ancestralidade, combatendo visões eurocêntricas e informações distorcidas perpetuadas desde o período da colonização.
Segundo o cacique Wbyrawa, o projeto nasce da necessidade de aproximar crianças e jovens da realidade indígena contemporânea. “Muitas pessoas ainda conhecem os povos indígenas apenas pelo que aprenderam nos livros ou pela visão dos colonizadores. Nosso trabalho é mostrar quem somos de verdade, nossa cultura, nossa espiritualidade, nossa relação com a natureza e a importância da preservação da nossa história”, destaca.
As atividades desenvolvidas envolvem diversas áreas do conhecimento, como Língua Portuguesa, História, Geografia, Artes, Música, Dança, Matemática e Ciências Naturais, promovendo um trabalho interdisciplinar alinhado à Lei 11.645, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas.
Durante as apresentações, os estudantes participam de rodas de conversa sobre a vida na aldeia, vivenciam o Toré — tradicional canto e dança da etnia Kariri Xocó —, aprendem cantos e movimentos indígenas, acompanham exposições de artesanato e podem participar de oficinas de pintura corporal indígena.
O projeto também reforça valores ligados à preservação ambiental, ao respeito às diferenças culturais e à valorização da oralidade e da sabedoria dos mais velhos na transmissão do conhecimento ancestral.
A proposta atende estudantes do ensino primário, fundamental, médio e universitário, com apresentações que variam entre uma hora e meia e duas horas de duração. Além do aspecto pedagógico, o movimento proporciona uma experiência cultural imersiva e transformadora, estimulando reflexões sobre identidade, pertencimento e diversidade.
Ao longo dos últimos anos, o projeto já impactou milhares de estudantes no Paraná, contribuindo para uma educação mais inclusiva, plural e conectada às raízes dos povos originários do Brasil.
Conheça e saiba mais sobre oprojeto: @swbathekye_kx


