A semana em Garopaba termina sob intensa polarização política e ambiental. O projeto da Prefeitura de instalar 32 refletores de LED diretamente na faixa de areia da Praia Central, orçado em R$ 800 mil, deixou de ser um debate local para ganhar repercussão estadual após a visita da deputada federal Geovania de Sá (PSDB) nesta sexta-feira (24).

O Embate Político Em visita oficial ao gabinete do prefeito interino Jorge Augusto Chaves (PP), a parlamentar não poupou críticas aos movimentos que pedem a suspensão da obra. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Geovania classificou as críticas como “o maior absurdo que já viu”, argumentando que a iluminação é uma demanda vital para a segurança pública e o turismo. “Segurança não pode esperar e nem ser tratada como algo secundário. Iluminação é respeito com quem vive aqui”, afirmou a deputada.
A Resistência Comunitária A fala da parlamentar ecoou de forma negativa entre os grupos ambientais e moradores que, desde o dia 11 de abril, organizam protestos e abaixo-assinados (que já superam 3 mil assinaturas). O cerne da questão é a localização dos postes: dentro de uma Unidade de Conservação Federal (APA da Baleia Franca).
Especialistas alertam que a luz artificial direta no mar desorienta baleias-franca e tartarugas marinhas, além de afetar o ecossistema costeiro. “Não somos contra a iluminação da cidade, mas contra a instalação de postes de concreto fincados na areia sem estudo de impacto e sem ouvir a comunidade”, pontua um dos líderes do movimento SOS Praia Central.
Desdobramentos Jurídicos Enquanto o discurso político se acirra, o caso caminha na Justiça. Uma Ação Popular já foi protocolada visando impedir o avanço da instalação até que estudos técnicos e audiências públicas sejam realizados. A Superintendência da Pesca também entrou no circuito, solicitando informações sobre como a luz afetará a pesca artesanal da tainha, que inicia em poucos dias.


