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Brasil reforça liderança ambiental com novo acordo regional para proteção do Atlântico Sul

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O Brasil consolidou nesta semana um passo estratégico na diplomacia ambiental com a oficialização da Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul. Proposta em conjunto com países da costa africana, a iniciativa visa preencher uma lacuna histórica na gestão oceânica da região, estabelecendo novos mecanismos de cooperação científica e preservação da biodiversidade entre os dois continentes.

Corredores ecológicos e proteção de baleias

Um dos pilares do novo tratado é a implementação de corredores ecológicos marinhos. Essas estruturas são vitais para a sobrevivência de espécies migratórias, como as grandes baleias, garantindo a conexão entre áreas de alimentação e berçários. Com o acordo, a região de Abrolhos ganha ainda mais relevância, sendo integrada a uma narrativa regional de conservação que fortalece sua proteção como berçário global.

O texto também alinha o bloco regional ao Marco Global da Biodiversidade, especificamente à Meta 3 (30×30), que prevê a proteção de 30% das áreas marinhas até 2030. A governança será pautada pelo uso de conhecimento científico de ponta e pelo reconhecimento dos saberes tradicionais de povos indígenas e comunidades locais.

Diplomacia e Financiamento Sul-Sul

Com o Brasil assumindo a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) nos próximos anos, abre-se uma janela de oportunidade para impulsionar a pesquisa oceanográfica. A Convenção prevê o compartilhamento de dados e o fortalecimento de sistemas de monitoramento, facilitando o acesso a mecanismos de financiamento internacional, como o Fundo Verde para o Clima (GCF) e o GEF.

Além da proteção biológica, o tratado vincula a agenda de biodiversidade à climática, priorizando ecossistemas que atuam no sequestro de carbono, como manguezais, recifes mesofóticos e bancos de rodolitos.

Desafios e coerência doméstica

Apesar do avanço no plano internacional, especialistas e o WWF-Brasil ressaltam que o sucesso da Convenção depende de coerência interna. Para que o compromisso se traduza em resultados reais, o Brasil precisará avançar em pautas domésticas urgentes, como:

  • Aceleração da criação e consolidação de Unidades de Conservação marinhas.
  • Adoção de salvaguardas socioambientais rígidas para a expansão da energia eólica offshore.
  • Garantia de participação ativa da sociedade civil e da comunidade científica no monitoramento das metas.

O novo marco coloca o Atlântico Sul definitivamente no mapa das grandes decisões multilaterais, posicionando o Brasil como um articulador central na economia azul sustentável.