
O paraíso tem um preço, e em Garopaba, esse preço está sendo cobrado através da nossa saúde e da balneabilidade das nossas praias. A recente audiência pública realizada na Câmara de Vereadores, no último dia 25 de março de 2026, trouxe à tona uma realidade incômoda: nossa infraestrutura de esgoto está à beira de um colapso que ameaça o sustento de milhares de famílias.
Há anos, Garopaba vive uma disputa que parece não ter fim. De um lado, a Prefeitura tenta romper o contrato com a CASAN, alegando falta de investimentos. Do outro, o Tribunal de Justiça mantém a concessionária no comando, apontando falhas nos processos de licitação do município. No meio dessa briga, está o cidadão e a natureza. Durante o último Réveillon, o consumo de água explodiu, crescendo 120%. O que muita gente esquece é que toda essa água vira esgoto. E para onde ele está indo?
Os dados são alarmantes. Pontos tradicionais de banho, como a Praia Central e a Lagoa de Ibiraquera, têm registrado episódios recorrentes de contaminação. O vereador Rodrigo de Oliveira, que liderou o debate na Câmara, foi enfático: “Quando o esgoto chega ao mar, toda a nossa economia sofre. O turista vai embora, o comércio para e o pescador perde sua renda”.
A solução não é simples, mas existem caminhos. Enquanto a rede de tubulações não chega a todos, tecnologias modernas de tratamento individual, previstas pelas normas técnicas nacionais, poderiam ser a saída para muitos bairros. Além disso, o acesso a recursos federais através do PAC surge como uma luz no fim do túnel para financiar as obras bilionárias que o município tanto precisa.
Garopaba não pode se tornar a próxima Lagoa da Conceição, onde o desastre ambiental serviu de exemplo do que acontece quando o poder público ignora o esgoto a céu aberto. A audiência de março foi um passo importante, mas o tempo da discussão precisa dar lugar ao tempo da obra. Preservar Garopaba é, acima de tudo, garantir que o esgoto tratado seja a regra, e não a triste exceção.


