Surf Brasil leva 12 surfistas do Talento Feminino para uma semana de treinos na Surfland
A nova geração de surfistas com até 14 anos terão a chance de evoluir suas manobras e uma Clínica de Aéreos nas melhores ondas artificiais do Brasil em Garopaba
Garopaba (SC) recebe, de 5 a 11 de outubro, uma nova etapa de desenvolvimento de jovens talentos do surf feminino brasileiro. O Surf Brasil levará 12 atletas de até 14 anos do programa Talento Feminino Onda 2 para uma semana de treinamentos nas ondas artificiais da Surfland Brasil, com foco no aperfeiçoamento técnico e na preparação para futuras competições nacionais e internacionais.
Promovido em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o projeto tem como objetivo desenvolver, capacitar e preparar novas gerações de surfistas para representar o país em competições de alto rendimento, incluindo os Mundiais da International Surfing Association (ISA) e, futuramente, os Jogos Olímpicos.
As 12 atletas que participarão da programação em Garopaba são as mesmas que estiveram, em julho deste ano, no Centro de Treinamento Time Brasil, do COB, no Rio de Janeiro. Na ocasião, as jovens passaram por avaliações físicas e de saúde, atividades de preparação esportiva e palestras com profissionais especializados.
Projeto fortalece a base do surf feminino brasileiro
Criado em 2023 pela Diretoria de Desenvolvimento Feminino da Confederação Brasileira de Surf, sob a coordenação da vice-presidente da entidade, Brigitte Mayer, o Talento Feminino Onda 2 surgiu a partir da preocupação com o número reduzido de meninas nas competições de base. A iniciativa foi viabilizada por meio do edital Área Mulher no Esporte, do Comitê Olímpico do Brasil.
Desde 2024, o programa passou a integrar permanentemente os projetos desenvolvidos pela Confederação Brasileira de Surf, em parceria com o COB, o Instituto Olímpico Brasileiro (IOB) e a Área Mulher no Esporte.
O trabalho já apresenta resultados expressivos. Entre as atletas participantes estão a paulista Júlia Stefani e a capixaba Aninha Dagostini, ambas com 14 anos, que conquistaram classificação para integrar a Seleção Brasileira Junior de 2027. As vagas para os times brasileiros Sub-16 e Sub-18, masculinos e femininos, foram disputadas na etapa decisiva do Surf Brasil Base 2026, encerrada no último domingo, em Navegantes (SC).
Além de Júlia e Aninha, integram o grupo as paulistas Maria Clara Chuquer e Joana Costa, ambas de 12 anos, e Isabel Meyer e Nalu Carratu, de 14 anos. Também participam as catarinenses Lulu Vivan, de 14 anos, e Maria Carolina Braga, de 11 anos; a carioca Ana Clara Soares e a cearense Eloá Lima, ambas de 12 anos; além da pernambucana Kaila Brotherhood e da potiguar Alexia Oliveira, de 14 anos.
Treinamento técnico terá clínica de aéreos
A programação na Surfland Brasil contará com uma equipe multidisciplinar do Surf Brasil, formada por Brigitte Mayer, coordenadora do projeto; Andrea Lopes e Karina Abras, treinadoras oficiais da entidade; e Taís Almeida e Yasmin Dias, treinadoras assistentes. A fisioterapeuta Viviane Abrunhosa também acompanhará as atividades.
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Um dos destaques da semana será a Clínica de Aéreos, conduzida pelo diretor técnico do Surf Brasil, Guga Arruda, com a participação do ex-surfista profissional Heitor Alves, que integrou durante anos a elite mundial da modalidade.
A proposta é aprimorar a execução das manobras aéreas, cada vez mais presentes nas competições internacionais, por meio de uma metodologia que combina preparação fora d’água, repetição técnica e aplicação nas ondas. O desempenho das atletas será acompanhado diariamente, permitindo avaliar a evolução e identificar pontos de aperfeiçoamento.
“O Talento Feminino é um projeto muito bonito da Confederação Brasileira de Surf e, para mim, é uma honra ser chamado para participar”, destaca Guga Arruda.
“Já fizemos esse trabalho no ano passado, com o treinamento de aéreos para as meninas, e ele vem rendendo bons frutos. Temos visto essas novas atletas utilizando os aéreos, inclusive em competições. É uma manobra muito importante que queremos trazer para nossas surfistas. As melhores do mundo hoje já utilizam os aéreos nos campeonatos, então é importante que a nova geração do surf feminino brasileiro também desenvolva essa habilidade”, completa.
O trabalho de preparação segue uma metodologia progressiva. Segundo Guga Arruda, a primeira etapa envolve o aprendizado dos movimentos em equipamentos como cama elástica e trampolim. Na sequência, as atletas praticam a execução na plataforma da piscina de ondas, onde podem repetir as manobras em condições controladas, antes de aplicá-las nas ondas do mar.
“No ano passado, esse trabalho começou com um treinamento no SEFID, na Faculdade de Educação Física, em Florianópolis, utilizando cama elástica e trampolim para iniciar as técnicas básicas das manobras aéreas. Na Surfland, elas repetem as mesmas técnicas várias vezes na piscina. Essa é a metodologia que proponho: primeiro, o conhecimento técnico fora d’água; depois, a plataforma da piscina com ondas iguais, que permite repetir a execução; e, por fim, a aplicação nas ondas do mar”, explica o diretor técnico.
Experiência olímpica complementa a formação das atletas
A programação em Garopaba dá continuidade ao processo de desenvolvimento iniciado em julho, quando as 12 jovens participaram de uma semana de atividades no Centro de Treinamento Time Brasil, do Comitê Olímpico do Brasil, no Rio de Janeiro.
Durante a experiência, as atletas tiveram acesso à estrutura utilizada por esportistas olímpicos e de alto rendimento, com acompanhamento multidisciplinar, avaliações físicas e de saúde, além de orientações voltadas à preparação esportiva. As atividades permitiram estabelecer parâmetros individuais de desempenho para acompanhar a evolução das surfistas ao longo do programa.
“Vivenciar essa rotina de treinamento contribui não apenas para o desenvolvimento das capacidades físicas essenciais ao surf, como força, mobilidade, estabilidade e prevenção de lesões, mas também para a formação da cultura esportiva, aproximando essas atletas dos padrões de excelência do Movimento Olímpico”, ressalta Brigitte Mayer.
“Certamente, é uma oportunidade inspiradora e transformadora para atletas em fase de desenvolvimento”, conclui a coordenadora.
Com a nova etapa de treinamentos na Surfland Brasil, o Talento Feminino Onda 2 reforça a proposta de ampliar as oportunidades para meninas no surf, investir na formação técnica desde as categorias de base e preparar atletas para representar o Brasil no cenário internacional.



