
Garopaba Inteligente: O futuro não é sobre software, é sobre pessoas
Muitas cidades falam em se tornar “Smart Cities”, mas a verdade é que sensores e aplicativos não constroem uma comunidade. O que realmente transforma um
Eng. Mecânico – Pucrs
Adm. de Empresas – Pucrs
Pós-graduado em Marketing pela Ufrgs
Professor Universitário e Consultor aposentado na área de Custos
A expressão latina “Ultra duas contignationes non tolerantur” , “mais do que dois pavimentos não se tolera” foi decisiva para moldar o que hoje conhecemos como Garopaba, um dos destinos mais singulares do litoral de Santa Catarina.
Nos anos 60, Garopaba possuía uma configuração urbana bastante distinta da atual. A cidade se concentrava basicamente em sua parte histórica, onde se encontra a Capela São Joaquim. Em frente à prefeitura, a praça abrigava um amplo campo aberto, utilizado pela gurizada para partidas improvisadas de futebol , um retrato simples e comunitário da vida local.
O acesso ao centro antigo era feito pela Rua João Orestes de Araújo. Dobrava-se à direita, onde hoje está a Rua 30 de Dezembro, que se conectava à atual Rua Marques Guimarães. Passava-se em frente ao Hotel Lobo e, então, atravessava-se a ponte. Moradores e visitantes utilizavam majoritariamente a praia dos pescadores para o banho de mar.
À esquerda desse percurso em direção ao oceano, onde hoje se vê intensa ocupação urbana, não havia absolutamente nenhuma construção. Existiam apenas dunas de areia intocadas e a Lagoa das Capivaras, compondo uma paisagem natural quase selvagem. Foi nesse contexto que surgiu em Garopaba um personagem fundamental para sua história urbana: Guido Pacífico, um italiano oriundo de Nápoles, então residente em Porto Alegre. Aficionado por pesca submarina, Guido apaixonou-se por Garopaba e rapidamente se integrou à comunidade local, estabelecendo laços de amizade com os moradores.
Durante uma caminhada pelo Morro da Vigia, cercado por amigos garopabenses, Guido observou atentamente as dunas inóspitas da atual Praia Central e pronunciou a frase que mudaria o destino da cidade: “Ultra duas contignationes non tolerantur.”
Naquele momento, poucos compreenderam o significado ou a dimensão de suas palavras. Mais tarde, reunidos em sua casa para um café, os amigos questionaram o italiano sobre o que ele havia dito. Guido então traduziu a frase e explicou sua origem. Relatou que, na juventude, praticava pesca submarina na ilha de Ischia, na Itália, onde a beleza das praias era preservada justamente pela proibição de edifícios altos. Segundo ele, Garopaba possuía um perfil geográfico semelhante e, caso adotasse a mesma diretriz urbanística, tornar-se-ia uma praia única e diferenciada. Entre os ouvintes estavam dois vereadores da época, que abraçaram a ideia. Sensível à proposta, o então prefeito Jorge Pacheco incorporou a limitação da altura para dois pavimentos ao Código de Obras do município.
Com o passar do tempo, os créditos pela decisão acabaram se diluindo, e o nome do italiano foi sendo esquecido diante dos frutos evidentes da escolha acertada. No entanto, se hoje Garopaba é reconhecida como um lugar harmonioso, de paisagem preservada, atmosfera tranquila e baixos índices de poluição visual e ambiental, isto se deve à visão de Guido Pacífico.
Seu legado permanece inscrito não apenas nas normas urbanísticas, mas na própria identidade da cidade. A ele, portanto, é justo atribuir parte essencial do paraíso em que hoje vivemos. Que Deus o tenha.
Ernani Dehnhardt
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