
Não é todo dia que um surfista radicado em Garopaba entra para a lista do que muitos chamam de “Oscar das ondas gigantes”. Mas foi exatamente isso que aconteceu com Fabiano Wainberg.
Aos 43 anos, o gaúcho de Porto Alegre, que há sete vive em Garopaba, foi indicado ao Big Wave Challenge, principal premiação mundial dedicada ao surfe de ondas grandes. O motivo: uma das maiores ondas da temporada 2025/2026 surfada em novembro, em Nazaré, na icônica Praia do Norte, em Portugal.
E quem conhece Nazaré sabe — ali não existe “onda grande”. Existe montanha líquida.
Nazaré: o palco das gigantes
Entre outubro e março, o mundo do surfe volta os olhos para Nazaré. É quando as ondulações vindas do Atlântico encontram o famoso canhão submarino da região e se transformam em paredes d’água que desafiam a lógica e o medo.
Foi nesse cenário que Fabiano cravou sua onda histórica.
Curiosamente, ele não estava competindo. Não havia jersey oficial, nem bateria marcada. Ele estava lá como faz todos os anos: por conta própria, em mais uma temporada de freesurf — a quinta consecutiva em Nazaré.
Foram 65 dias vivendo intensamente a rotina das ondas grandes, utilizando a estrutura do centro de alto rendimento da cidade portuguesa. Uma temporada inteira dedicada a esperar o momento certo. Porque, no universo das ondas gigantes, paciência é tão importante quanto coragem.
Preparação que vai além da prancha
Engana-se quem imagina que tudo começa na hora em que a onda aparece no horizonte.
Fabiano afirma que a preparação é anual. Alimentação controlada, condicionamento físico rigoroso e treino mental para enfrentar situações extremas — muitas vezes sem o apoio de Jet Ski, equipamento comum na modalidade tow-in.
E há um detalhe que, nesse esporte, vale ouro: ele voltou inteiro. Nenhuma lesão na última temporada. Em ondas desse porte, sair ileso já é uma vitória.
Sobre a onda que lhe rendeu a indicação, ele resume com simplicidade:
“Eu já tinha sonhado com essa onda. Foi a melhor onda da minha vida.”
De Garopaba para o mundo
Com 28 anos de surfe, Fabiano transformou a busca por ondas gigantes em estilo de vida. E escolheu Garopaba como base. Segundo ele, a cidade combina com essa filosofia: mar próximo, natureza pulsando e uma cultura que respira oceano.
A rotina inclui treinos frequentes no Farol de Santa Marta, outro point catarinense conhecido por formar ondas pesadas — um laboratório natural para quem decide enfrentar Nazaré.
A indicação ao Big Wave Challenge não significa apenas reconhecimento individual. Ela projeta o nome de Garopaba no mapa internacional do surfe de ondas grandes, colocando a cidade no radar de uma modalidade que cresce em audiência e relevância global.
Mais do que troféu
Em publicação nas redes sociais, Fabiano celebrou:
“Que honra estar no Oscar do Surf de Ondas Grandes, ao lado de grandes ídolos e amigos do surf mundial. Obrigado de coração a todos(as) que fazem parte dessa história. Aloha.”
Mas talvez o mais simbólico dessa trajetória não seja o prêmio em si.
É a escolha.
Enquanto muitos esperam patrocínios robustos e circuitos oficiais, Fabiano construiu sua presença no cenário mundial com disciplina, repetição e fidelidade ao próprio propósito. Ele não foi atrás da premiação — foi atrás da onda.
E às vezes, quando se busca a onda certa pelo tempo suficiente, o reconhecimento vem como consequência.
Garopaba agora tem um nome entre os gigantes do planeta. E, se depender do Atlântico, essa pode não ser a última vez que veremos Fabiano Wainberg desafiando o impossível.


